Uma história que atravessou três décadas culminou na emocionante compra de um Ford Galaxie 500, fabricado em 1971, por Tiago Fabiano Corrêa Pacheco, de 46 anos. O carro, que passou 17 anos estacionado em um prédio em Novo Hamburgo, na Região Metropolitana de Porto Alegre, foi uma presença constante na infância de Tiago, que o admirava durante o trajeto entre a escola e sua casa.
Desde a década de 1990, a imagem do Galaxie ficou marcada na memória de Tiago. Ele passava diariamente pelo estacionamento onde o veículo estava guardado desde 1981. Anos depois, em uma visita a um estacionamento diferente com seu sogro, Tiago não pôde acreditar ao reconhecer o carro que tanto admirou na infância, estacionado a um andar acima.
“Eu digo: ‘Esse carro é o carro que eu via no colégio’. Vamos tentar comprar”, relembra Tiago, que, determinado, buscou o contato da família que ainda possuía o Galaxie. No entanto, a negociação não foi simples: inicialmente, os familiares não estavam dispostos a vender o carro, e o desejo de um dos herdeiros de mantê-lo atrasou o processo.
Mas, após um tempo, a viúva do proprietário manifestou interesse em vender, e finalmente o filho do falecido ofereceu o carro ao sogro de Tiago, permitindo que a compra se concretizasse em 2021. “Depois de 30 anos, fui comprar o carro”, diz Tiago, com um brilho nos olhos ao relembrar a jornada que o levou de volta àquele modelo icônico.
A descida do Galaxie do nono andar do estacionamento foi um desafio, já que o veículo não tinha freios e seu motor estava inoperante. Com a ajuda de amigos e um jipe 4×4 para garantir a segurança, Tiago e sua equipe conseguiram baixar o carro com sucesso, transformando a operação em uma verdadeira celebração.
Após ser retirado, o veículo foi levado a uma garagem para limpeza e manutenção. Tiago ficou surpreso ao descobrir que o motor estava em ótimo estado e, ao vasculhar o interior do carro, encontrou um jornal de 1988, que havia sido colocado sob o tapete para absorver a umidade após uma lavagem. “Acredito que em 1988 foi lavado e foi posto ali”, comenta ele, ao se lembrar da importância de cada detalhe da história do carro.
Com a pintura ainda por fazer, Tiago pretende usar o Galaxie em eventos e exposições, mantendo viva a história que começou na sua infância. “Quero fazer mais história com ele, quero levar em eventos, expor o carro, mas pretendo ficar com ele”, conclui, revelando a conexão emocional que vai muito além de um simples automóvel.


