quinta-feira, 29/10/2026

BYD planeja lançar veículo 100% nacional até dezembro e considera aquisição de porto na Bahia um ano após inauguração de sua fábrica

A montadora chinesa BYD está em contagem regressiva para a conclusão de seu primeiro veículo totalmente montado no Brasil, previsto para dezembro deste ano. A fábrica, localizada em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador,…

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A montadora chinesa BYD está em contagem regressiva para a conclusão de seu primeiro veículo totalmente montado no Brasil, previsto para dezembro deste ano. A fábrica, localizada em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador, iniciou suas operações em outubro de 2025 e, após um ano de funcionamento, está prestes a dar um passo significativo na produção local. Durante uma coletiva na Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), o vice-presidente da fábrica, Alexandre Baldy, confirmou que a montagem do modelo Atto 2, um híbrido plug-in, começará em breve.

A nova fase da produção, que inclui as etapas de estamparia, soldagem e pintura, já está em testes, com a expectativa de que as operações sejam totalmente integradas até o final do ano. O Atto 2, que combina motor elétrico e a combustão, já está precificado entre R$ 149.990 e R$ 166.660, e representa um marco na estratégia da BYD de aumentar a competitividade no mercado nacional, alinhando-se aos requisitos de conteúdo local estabelecidos por acordos comerciais como o Mercosul.

Além de ampliar sua produção, a BYD também está interessada na aquisição do antigo “Porto da Ford”, localizado a cerca de 35 km de sua fábrica. O terminal, que ficou desativado após a saída da montadora americana em 2021, poderia facilitar ainda mais a logística de exportação da empresa. Baldy destacou que a intenção é transformar a fábrica da Bahia em um hub regional para as operações na América do Sul, Central e Norte.

Atualmente, a unidade da BYD em Camaçari é a maior fora da China, com um investimento total que ultrapassa R$ 11 bilhões e uma área de um milhão de metros quadrados. A fábrica gera cerca de 9 mil empregos diretos, com expectativa de chegar a 10 mil até o final do ano, e quando todos os investimentos forem completados, esse número pode chegar a 20 mil. Os salários na indústria local estão, em média, 24% acima da média do setor na Bahia, conforme dados do Observatório da Fieb.

Enquanto isso, o avanço das montadoras chinesas no Brasil, como a BYD, tem gerado inquietação nas empresas tradicionais do setor. O presidente da Stellantis para a América do Sul, Herlander Zola, reconheceu que a indústria ocidental subestimou a rapidez com que a eletrificação se tornaria relevante, além de criticar a falta de incentivos para que montadoras locais adquiram componentes de fornecedores brasileiros, o que encarece a produção em comparação com as marcas chinesas.

Com a crescente presença da BYD e outras montadoras chinesas, o cenário automotivo brasileiro está em transformação, e a chegada de veículos montados localmente pode representar uma nova era para a indústria nacional, desafiando as empresas locais a se adaptarem a um mercado em rápida evolução.