O Honda CR-V, um dos SUVs mais vendidos nos Estados Unidos, apresenta um cenário bem distinto no Brasil. Enquanto o modelo emplacou mais de 226 mil unidades apenas no primeiro semestre deste ano na América do Norte, por aqui, em 2026, foram apenas 133 unidades. O que explica essa discrepância tão acentuada?
Com um preço de R$ 353.500, o CR-V não pode ser considerado inacessível, especialmente em um mercado onde outros SUVs, como o BYD Atto 8, que custa R$ 399 mil e já emplacou 1.231 unidades, demonstram que há espaço para modelos nessa faixa de preço. A questão, portanto, não é apenas financeira, mas envolve uma série de fatores que influenciam a percepção do consumidor brasileiro.
O g1 teve a oportunidade de testar o CR-V, avaliando seu desempenho tanto em áreas urbanas quanto em rodovias. As melhorias em relação ao modelo anterior são notáveis: o SUV apresenta um espaço interno ampliado, um porta-malas com capacidade de 581 litros e um sistema híbrido que combina um motor a combustão de 147 cv com dois motores elétricos, totalizando 184 cv. Essa configuração não apenas promete eficiência, mas também uma experiência de condução tranquila e responsiva.
O interior do CR-V é um misto de tecnologia e sofisticação, destacando-se pelo painel digital de 10,2 polegadas e pela central multimídia que suporta Apple CarPlay e Android Auto. No entanto, a concorrência está se adaptando rapidamente às novas demandas do mercado, oferecendo recursos que, em alguns casos, superam as inovações do modelo da Honda.
Um dos aspectos que se destaca é a segurança. O CR-V vem equipado com o Honda SENSING, que inclui uma série de tecnologias que auxiliam a condução e garantem maior proteção aos ocupantes. Contudo, a complexidade de alguns sistemas pode gerar confusão em situações cotidianas, como a interação entre a câmera de ponto cego e o GPS, que não permite o uso simultâneo. Isso pode ser visto como um retrocesso em relação à praticidade desejada pelos motoristas.
Enquanto os consumidores americanos valorizam a confiabilidade e a tecnologia em um modelo de SUV, no Brasil, a preferência por marcas de luxo e uma nova geração de veículos que priorizam telas e tecnologia avançada têm feito com que o CR-V pareça menos atrativo. A crescente popularidade de marcas chinesas, que oferecem preços competitivos e inovações tecnológicas, representa um novo desafio para a Honda.
Apesar de suas qualidades como um veículo bem construído e eficiente, o CR-V enfrenta um mercado brasileiro em transformação, que parece estar mais interessado em atributos que vão além do que o modelo tem a oferecer. Enquanto isso, a Honda ainda não conseguiu encontrar uma forma de se destacar nesse novo cenário, onde a tecnologia e a percepção de valor mudaram drasticamente.
Crédito da imagem: Honda CR-V


